UM PEDACINHO DA NOSSA HISTÓRIA…

No princípio havia só um espaço. Espaço que poderia ter sido destinado a muitas outras finalidades, porém a fé que move montanhas, moveu os corações imbuídos de boa vontade e cheios da força do Espírito Santo, que plantou em suas mentes que ali seria erguido um templo, e que por mais buycritical analysis humilde e simples que fosse, serviria para honrar e louvar a Deus, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis.

Foi nessa pequena construção que em 05/10/62 com a celebração da primeira missa por Dom Geraldo Fernandes, foi instalada a Paróquia dos Sagrados Corações de Jesus e Maria e a consequente nomeação do Pe. Raimundo Fuentes, como primeiro Vigário de nossa Paróquia.

Este foi o início de uma caminhada que continua ainda hoje sendo realizada por todos aqueles que acreditam que a Igreja Católica é um espaço privilegiado de salvação.

Muitos foram aqueles que contribuíram com orações, trabalho e financeiramente, para que chegássemos até aqui. Nomes! Impossível citarmos todos. Primeiro por muitos serem anônimos; segundo por temermos o erro de omissão; terceiro esse agradecimento não vem dos homens, vem de Deus.

Buscamos informações e chegamos a diversos paroquianos pioneiros e deles ouvimos tantas estórias. .. sobre a construção dessa maravilhosa obra que hoje nos serve, nos acode e nos acolhe.

São eles..

 

GENTE BOA DO SAGRADOS CORAÇÕES

Justa homenagem… aos que são nossa história.

Ítalo Cianca, Juquita, José Beggiato, Dr. Sebastião e dona Nazaré, as irmãs dona Otília e dona Maria e dona Zélia Fuganti.

A saudade dessa gente a princípio correu de encontro a figura ímpar do Padre Boaventura, tido por todos como o grande artífice de nossa Paróquia. Vimos aí que não haveria como deixarmos de lado a saudade. E ela falou por si só… e as estórias foram surgindo fora de ordem, dia, mês e ano. Parecia até que havíamos aberto um baú cheio de tempo, todos falavam, cada um ao seu modo e jeito, porém todas as estórias vinham temperadas de saudade.

Contaram que o primeiro padre que chegou não tinha onde morar, assim hospedou-se na residência de um paroquiano.

Depois se constatou que ele só não tinha onde morar, como também, hão tinha roupas pra vestir e demais vestimentas para celebrações.

As dificuldades eram tantas, contaram, que a saída era pedir e isso era o que mais faziam. Pediam de tudo e aceitavam tudo que pudesse ser aproveitado. Dona Nazaré doou uma mesa pra sala. Wilson Moreira contribuiu para a calçada. Dona Francisca Campinha, Sra. Irene e Sra. Dulce Vicentini, assim como tantos outros não mediam esforços.

Os olhos dos pioneiros movidos pela saudade, corriam pelas paredes, enquanto suas mãos pareciam limpar os pêlos dos apetrechos das tantas feijoadas que fizeram e narrative essays seus ouvidos pareciam ouvir a pedra sorteada dos tantos bingos que realizaram.

A igreja foi feita aos pedaços: trabalho por trabalho; cansaço por cansaço; alegria por alegria; graça por graça; bênção por bênção. Sem recursos, muitas vezes recorríamos aos bancos, onde fazíamos empréstimos em nossos nomes; depois fazíamos festas, feijoadas, quermesses, bingos, desfile de modas, chás, bazar de roupas usadas para arrecadar fundos para cobrir esses empréstimos.

As paredes foram sendo levantadas…

Após o término da laje do segundo piso fizemos um empréstimo para a construção da nave, com a própria Congregação dos Sagrados Corações – Sociedade Cultural Brasileira, ordem do padre Boaventura – esse empréstimo foi pago através de Bingos Mensais (em 24 vezes).

Entre risos, contaram que aconteceu um enxame de abelhas nas instalações elétricas paralisando a obra.

Sabem como se constrói uma igreja? – perguntou sr. Beggiato – Uma igreja se constrói com o sacrifício do padre, com o dinheiro do pobre e com o papo do rico – ele mesmo respondeu.

Dizemos mais, sr. Beggiato, uma igreja se constrói com a perseverança dos membros que se propõem a construí-la.

Cumpriram uma missão, fizeram sua parte, a alegria de ver a obra pronta, agora, valoriza o grande sentimento que os une – a amizade.

Gente Boa do Sagrados Corações… nossa Gente Boa! Não importa de que lado sopre o vento, importa que ele traga a saudade pra brincar nos momentos de solidão…

Saudade gostosa essa de vocês… temperada de amizade.

 

Jornal da Paróquia dos Sagrados Corações Junho/2002